Conversando com meu chefe em meio a cervejas pretas e xingamentos fraternais, ele comentou o quanto todas as bandas ultimamente soavam como o Arctic Monkeys, o modo como o indie tomou conta da música e de toda a criatividade que pudesse surgir na cabeça dos músicos. Entretanto de tempos em tempos surgem bandas que servirão de referencia pra tudo que é feito nos próximos anos, os já citados e imitados Arctic Monkeys e claro, o Nirvana (nunca desperdice uma referencia como o Nirvana em ano de aniversário do “Nevermind”) felizmente ao ouvir “El Camino”(2011) percebe-se claramente uma ruptura nos discos “mais do mesmo” e o aparecimento de algo que não soa “antigo” como o indie, algo que aponta pro novo, sem abandonar referencias antigas como o blues e o rock dos anos 60 e 70.
O primeiro segundo do disco é de um riff de guitarra que logo evolui pra uma frase inteira e a bateria, agora, controlada de Patrick Carney aparece de vez em quando lembrando que a musica tem uma estrutura – Lonely Boy, primeiro single do álbum surgiu com um clipe viral na internet de um cara dançando enquanto o pedal da guitarra grita, e ao final da música você percebe que se não tiver auto-controle suficiente acabará dançando também.
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O disco produzido pelo agora hype Danger Mouse que já havia colaborado em trabalhos anteriores da dupla se mostra simples, geralmente guitarra e bateria pontuado por baixos e gaitas em algumas faixas. Um disco pra se ouvir no último volume e de intensidade marcante conferida pela infinidade de solos de guitarra. “Dead and gone”, tem o primeiro deles que cresce junto com a canção dá o tom do resto do disco.
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| Black Keys dominando o rock, like a boss. |
Gold on the celling - Surge como uma prima próxima de “Howling’ for you”(Brothers - 2010) lembrando que as referencias dos discos anteriores continuam todas ali, conversando também com os novos formatos como os backing vocals emprestados das canções jazzistas.
Little Black Submarines – começa lenta e constrói aos poucos um ar country-rock, seja pelo violão que inicia a música ou pela bateria que te leva pra algum lugar onde Johnny Cash já encheu a cara. O ritmo previsível e calmo da música vai se arrastando e levando a crer que esta será curta quando o ouvinte leva um verdadeiro soco no estômago no minuto 02:06 com o solo de Dan Auerbach.
Escrita sem dúvida alguma pra uma Michele Rodrigues do mundo”Run Right Back” é um dos melhores momentos do disco em que Auerbach se dá ao desplante de meter um solo de guitarra(é, mais um) no refrão chiclete. Essa tem cara de single desde o início e aliás bem que podia ganhar um clipe bem no estilo Grindhouse.
Sister – entra com um baixo que imediatamente nos remete a Michael Jackson e sua “Billie Jean” que assim como a referida irmã dos texanos acaba sozinha e com problemas, talvez seja loucura minha, mas a história da garota problemática que é encorajada por todos à autodestruição soa familiar quando lembramos de Amy Winehouse, que infelizmente nunca pôde emprestar sua voz as canções simples do duo.
Nova Baby – Outro dos melhores momentos do disco surpreende o ouvinte na entrada do refrão quando entra um teclado enquanto Dan canta “...All your enemies. Smile when you fall...”, pra mostrar um groove novo nos ingredientes da banda.
No geral “El Camino” é um disco que não poderia ter sido feito por outra banda e que revisita tudo de bom que já se ouviu no rock em outras épocas. Mostra que não é preciso uma mega banda pra construir musicas sólidas, guitarra e bateria bastam, lição que eles talvez tenham aprendido de uma outra dupla (White Stripes: 1997 - 2011) ou não.
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Ouça também:
- ‘’Strange Times’’ (Attack and Release - 2008).
- “Ain’t Nothing Like You (Hoochie Coo) ” – The Black Keys feat. Mos Def (BlakRoc - 2008).
- “Chop and Change” trilha sonora de Eclipse – Saga Crepusculo.
![]() | Allan "Cuba" Assis é um engenheiro civil não muito convicto, cinéfilo e apaixonado por música (menos a Adele) e acha que sorrir demais é boring. |






